Por Ana Cristina Barreto
Cerca de 18 mil novos casos de câncer de colo de útero surgem por ano e causam 5 mil mortes, sendo que 70% das ocorrências poderiam ser prevenidas. Esses dados foram apresentados na manhã de hoje (15) na conferência Mitos e Verdades Sobre HPV e Prevenção Primária do Câncer de Colo do Útero da pesquisadora e cientista Luisa Lina Villa, PhD, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).
A conferência integra a programação do VI Congresso Baiano de Pediatria - II Congresso de Pediatria de Consultório do Nordeste, iniciados hoje (15) no Hotel Pestana, no Rio Vermelho. A atividade prossegue até o dia 17, e é promovida pela Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape) com apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Os cerca de 500 participantes ouviram as experiências de 25 anos de estudos da pesquisadora Luísa Lina Villa sobre o vírus HPV e as relações com o câncer de colo de útero. Luísa Villa é coordenadora do Instituto do HPV, entidade criada há cerca de um ano e meio em São Paulo, a partir da parceria com o CNPq e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Ao tratar do assunto, a biologista e pesquisadora destacou as ferramentas existentes para a prevenção primária das infecções por HPV e tumores causados pelo vírus. Ela falou sobre a importância da prevenção através da imunização, o que ainda é restrita à rede particular de saúde.
Lina explicou que há duas vacinas disponíveis no Brasil: a quadrivalente, do laboratório Merk Sharp & Dohme, que foi aprovada em 2006; e a bivalente (GlaxoSmith Klein), aprovada em 2009. “Ambas têm excelente eficácia clínica, sendo que a quadrivalente previne contra o câncer de colo de útero e tipos de verrugas (condilomas) na região genital”, diz.
No Brasil, a vacina contra o HPV é indicada para pessoas do sexo feminino, dos 9 aos 26 anos. Em outros países já há a indicação da imunização para meninos e para mulheres acima dos 26 anos.
Quanto à vacinação na rede pública de saúde, Lina diz que o governo ainda não inseriu no seu calendário devido à dificuldade de implementação no Sistema Nacional de Imunização, o que passa por questões financeiras e operacionais. Segundo ela, isso vai obrigar a introdução de novas rotinas para se fazer o monitoramento após a introdução da vacina. “Esperamos que o governo possa aderir o mais breve possível, o que reduziria sensivelmente a infecção pelo HPV”, declara.
Congresso
O VI Congresso Baiano de Pediatria/ II Congresso de Pediatria de Consultório do Nordeste, inclui a discussão de assuntos ligados ao dia-a-dia do pediatra no consultório, na emergência, no pronto-atendimento e na área de neonatologia. As atividades serão distribuídas em dez mesas-redondas e cinco conferências. A programação contempla também a apresentação de trabalhos científicos em formato pôster.
Ao preparar a programação, a comissão científica procurou reunir temas “atuais, dinâmicos, inovadores e diversificados”, garante o presidente do congresso, dr. Fernando Barreiro, que é diretor de Defesa Profissional da Sobape.
Site: www.pediatriabahia2010.com.br. |