Associado Online Biblioteca Sobape Sobape Online Revista Baiana de Pediatria Faça o seu cadastro Gerenciador de conteúdo
Página principal Sociedade Baiana de Pediatria Conheça a Sobape Notícias Eventos Nossos artigos CBHPM Nossos parceiros Links Fale Conosco

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Recém-nascido com problemas auditivos deve ter acompanhamento constante

Publicada em 13/05/2010

Folha Online, do The New York Times/ PERRI KLASS

Um garoto de 8 anos já apresentava problemas de audição quando o conheci, na década de 1990. Ele havia nascido antes de os recém-nascidos serem rotineiramente examinados por problemas de audição, então o diagnóstico só apareceu quando ele se mostrou uma criança de fala lenta.
Um grande número de sub-especialistas o tinha avaliado, depois que aquele primeiro exame mostrou grave perda de audição nos dois ouvidos. Um geneticista, um psicólogo do desenvolvimento, um especialista em rins, ninguém conseguia encontrar nada de errado. Ele era uma criança saudável e alegre que não podia ouvir muito bem.
Atualmente, 97% dos bebês nascidos nos Estados Unidos têm sua audição examinada ainda na maternidade. Isso significa que exames essenciais de acompanhamento e tratamento podem começar bastante cedo. Porém, o termo-chave é "acompanhamento".
Das crianças que não passaram nos exames completos de recém-nascidas em 2007, aproximadamente 46% não tiveram a continuidade de exames e tratamentos documentados, segundo Marcus Gaffney, um cientista da saúde junto ao programa de detecção e intervenção precoces na audição, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.
"Examinar uma criança não traz muita coisa boa", me disse Gaffney, "se você não realizar o acompanhamento apropriado".
Antes de os exames de recém-nascidos mudarem o quadro no final dos anos 90, a idade média para um diagnóstico de perda auditiva era de aproximadamente 2,5 anos. E os testes só eram realizados porque a fala da criança se desenvolvia muito lentamente. Em crianças com perda auditiva relativamente leve, ou em apenas um ouvido, isso às vezes demorava ainda mais.
"A perda auditiva foi muitas vezes considerada como a deficiência silenciosa", disse Judith E.C. Lieu, especialista em pediatria de ouvido, nariz e garganta da Universidade de Washington, em St. Louis. O problema pode ser difícil de se detectar mesmo em crianças mais velhas. Segundo ela, "pode ser confundido com falta de atenção; elas falam enquanto o professor está falando".
Lieu é autora de um novo estudo, mostrando que mesmo a perda auditiva em apenas um ouvido está ligada a habilidades fracas de linguagem em crianças.
Apesar de invisível e silenciosa, a perda auditiva é uma das deficiências congênitas mais comuns, afetando de 2 a 4 bebês em cada mil. Pode ser genética, ou resultar de infecção pré-natal: das chamadas infecções TORCH, que podem atacar um feto em desenvolvimento, (as letras correspondem a toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e "outras"), várias podem prejudicar a audição.
Antes da imunização, a rubéola era a maior ameaça, causando surdez, perda de audição e danos cerebrais. Hoje, o culpado mais comum é o citomegalovírus, uma infecção que pode não causar sintomas numa mulher grávida, mas afetar seu feto em desenvolvimento especialmente se ela contraí-la no primeiro trimestre. A perda auditiva pelo citomegalovírus pode ser grave, mas também pode se desenvolver apenas depois do nascimento da criança.
Bebês prematuros, ou aqueles doentes o bastante para precisarem de um tempo na UTI de recém-nascidos, também sofrem riscos de perda auditiva, algumas vezes pela privação de oxigênio, outras por infecções graves, e outras por medicamentos.
Então há os fatores genéticos, que são incrivelmente complexos. A perda auditiva pode fazer parte de mais de 400 síndromes genéticas; foi por isso que meu paciente examinou seus rins (síndrome de Alport), e porque uma geneticista olhou seu exame físico procurando por características faciais incomuns (síndrome de Waardenburg, entre muitas outras).
Em casos que não envolvem uma síndrome, mais de 100 genes diferentes podem estar implicados. Os pais nem sempre estão cientes de que o problema tenha existido em outros membros da família; padrões de herança variam com as anormalidades genéticas específicas, e até 95% das crianças com perda auditiva genética nascem com audição normal.
Assim, como se testa a audição de um recém-nascido? Existem duas tecnologias diferentes. Em emissões otoacústicas, um minúsculo microfone é inserido no ouvido de recém-nascido adormecido, para medir ecos da cóclea quando esta é estimulada pelo som. Com o exame auditivo automatizado de resposta da haste do cérebro, alguns pequenos eletrodos adesivos são colocados na cabeça do bebê para medir a resposta do cérebro a sons baixos.
O exame é o primeiro passo no chamado plano 1-3-6: examine os bebês com 1 mês de idade, faça uma avaliação diagnóstica aos 3 meses em todos os que não passaram, e coloque esses bebês em tratamento aos 6 meses. Uma pesquisa conduzida na década de 1990 por Christine Yoshinaga-Itano, professora de audiologia na Universidade do Colorado, mostrou que as crianças que foram ajudadas aos 6 meses apresentavam um melhor desenvolvimento de fala e linguagem do que aquelas em que o problema foi identificado mais tarde.
A ajuda pode vir em forma de terapia de fala e linguagem; aconselhamento e treinamentos para pais; e amplificação, incluindo dispositivos de audição, se necessário. Quando o menino de 8 anos se tornou meu paciente, ele frequentava um fonoaudiólogo e falava bastante bem.
Crianças que nascem com audição normal e são aprovadas no exame, mas desenvolvem perda auditiva após o nascimento, podem passar despercebidas. Quando o atraso de fala numa criança de 1 ano surge em nossa clínica, temos de repelir a complacência pelo fato de a criança ter passado nos exames ao nascer. Os testes em recém-nascidos não evitam o desenvolvimento de problemas mais adiante: "Não se trata de uma vacina", disse Brian Fligor, diretor de audiologia diagnóstica do Hospital Infantil de Boston.
Afinal, a audição pode se deteriorar também depois do nascimento e a causa podem ser fatores genéticos, citomegalovírus ou danos gerados por trauma na cabeça, meningite ou exposição a barulhos muito altos.
"A perda auditiva pode se desenvolver em qualquer momento da infância", afirmou Lieu. "Sempre que os pais tiverem alguma preocupação a respeito da audição de uma criança, seja a audição seletiva, a fala ou a linguagem, eles realmente precisam verificar a audição".

 
Listar todas as notícias
 

Associado Online | Biblioteca Sobape | Sobape Online | Revista Baiana | Oportunidade de Trabalho | Sobape | Notícias | Eventos | Artigos | CBHPM | Links | Contatos

By Designer Kéu Meira Brasília (61) 8217.3070 | Salvador (71) 8876.0877 Resolução Mínima de 800 x 600 © Copyright 2010 Sociedade Baiana de Pediatria