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Reações observadas em recém-nascidos podem prever depressão e ansiedade

Publicada em 06/01/2010

Site UOL

Alguns bebês choram, gritam e chutam quando estão em situações pouco familiares, enquanto outros ficam na mais cândida paz. A diferença entre esses dois tipos de personalidade na tenra infância pode continuar durante toda a vida e pode prever a suscetibilidade a transtornos depressivos e ansiedade. Essas são as conclusões de um novo estudo americano feito pela equipe do psicopatologista Carl Schwartz, e apresentado no American College of Neuropsychopharmacology.
Schwartz, pesquisador do Massachusetts General Hospital, EUA, descobriu que o temperamento dos bebês – já passíveis de observação mais detalhada aos 4 meses de idade – pode predizer o desenvolvimento estrutural do córtex pré-frontal anterior, uma área do cérebro que está ligada às respostas e controle emocionais.
“Qualquer pai nota a diferenças na personalidade das crianças desde o dia do nascimento”, diz Schwartz. “Descobrimos essa surpreendente e, na minha opinião, importante ligação com a depressão e ansiedade.”
A equipe de Schwartz acompanhou quase 80 pessoas da infância até a idade adulta, relatando seu comportamento e fazendo imagens de seus cérebros aos 4 meses e novamente aos 18 anos.
O que eles descobriram foi que bebês que eram altamente reativos a novas experiências – que inclui choros intermináveis quando pessoas ou lugares diferentes quebram sua rotina – tinham 10 vezes mais propensão a desenvolver depressão e transtornos ansiosos quando adultos.
Além disso, esses adultos apresentavam um córtex pré-frontal menos desenvolvidos, de acordo com Schwartz. O córtex pré-frontal tem ligações com a amígdala cerebral, que coordena memórias emocionais, e com o hipocampo, que controla a resposta ao medo. O pesquisador acha que o subdesenvolvimento cortical pode interferir com o funcionamento dessas regiões cerebrais, levando ao aumento da incidência de eventos de depressão ou mesmo ligados a ansiedade.
Schwartz é cauteloso quanto às possíveis generalizações das suas descobertas. “Anatomia não é destino”, diz. “Mas a anatomia cerebral parece indicar caminhos bastante nítidos nesse sentido”, indicando que esses transtornos, quando identificados o mais breve possível, podem ser tratados de forma eficaz, e o estudo pode levar a novas estratégias de abordagem da doença.
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Da Redação, com informações da American Psychological Association (APA)

 
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