Durante o X Congresso Nacional de Pediatria/Região Nordeste foram abordados assuntos extremamente importantes sobre nutrição infantil. Ao longo das últimas décadas, muito se avançou no conhecimento da nutrição do lactente. Estudos diversos têm sido feitos sobre as necessidades nutricionais, sobre o comportamento alimentar, sobre o aleitamento materno e também sobre as conseqüências da ausência deste.
No que diz respeito à alimentação do lactente, foi discutido o papel do aleitamento materno, suas vantagens e os fatores de proteção para o desenvolvimento de doenças crônicas futuras. Sem sombra de dúvida, a recomendação da amamentação exclusiva até os seis meses de idade está sedimentada nos conhecimentos dos pediatras que participaram do evento.
Também foram discutidos o papel da alimentação complementar na dieta do lactente e a necessidade da introdução de novos alimentos a partir dos seis meses de vida. Dr. Carlos Alberto Nogueira de Almeida abordou, com bastante clareza, o problema nacional da anemia ferropriva e o papel da alimentação complementar adequada na prevenção e correção desta patologia. Comentou ainda que alimentação do lactente deve ser variada e rica em alimentos que venham a complementar o aleitamento materno, ou seja, cereais, verduras, legumes, frutas e proteínas, na forma de carne ou frango ou peixe. Desmistificou também alguns tabus da oferta de apenas determinadas frutas ou legumes durante meses, por medo de alergias ou intolerâncias, ou, muitas vezes, por costumes individuais. Reforçou que, para se ter um cardápio equilibrado, a oferta deve ser variada e completa e que a fonte protéica deve sempre ser parte integrante da papa e não apenas estar presente no cozimento e depois ser descartada.
Ainda abordando a alimentação do lactente, a professora Roseli Sarno relatou aspectos muito atuais e de extrema importância para a vida dos bebês. Discutiu sobre a inadequação do uso do leite de vaca integral na alimentação do lactente menor de 1 ano de idade e nos atualizou com as novas recomendações nutricionais e suas evoluções ao longo dos anos. A partir dessa evolução, sabe-se que as necessidades protéicas do lactente são menores que as anteriormente estabelecidas. Dra. Roseli comentou ainda sobre os efeitos de uma dieta rica em proteína, sobre a função renal e desenvolvimento de resistência periférica à insulina no futuro.
Com muita clareza, a professora Roseli também enfatizou o papel do aleitamento materno na prevenção da ingesta protéica excessiva em lactentes e nos atualizou sobre a evolução na composição das fórmulas infantis, que vêm acompanhando paralelamente essas pesquisas e reduzindo com isso o teor de proteínas, tentando adequar-se às necessidades dos lactentes, que, por raros motivos, usam as fórmulas por não terem acesso ao aleitamento materno ou aos bancos de leite humano.
Durante esse evento nacional e de grande repercussão para pediatras e profissionais de saúde que trabalham diretamente com crianças, houve uma grande preocupação com a abordagem de temas muito importantes e com a transmissão de informações atualizadas. Deste encontro e das palestras relacionadas à nutrição infantil podemos concluir que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida é o alimento ideal para o lactente. Após este período, uma alimentação complementar adequada deve ser ofertada com a manutenção do aleitamento materno e que o leite de vaca integral não é nutricionalmente adequado para alimentação do lactente com menos de 1 ano de idade.
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